Sete dias, sete hamburgers - Dia 1 - TT Burger, Leblon

Minha programação original era para começar os sete dias de hambuguer pela mais nova casa especializada da cidade, o PJ Clarke's no Leblon, mas a única mesa vaga ontem, 19:50 era junto à porta e tipo de bar, com banqueta alta. O térreo não é grande, estava cheio e o segundo andar não estava aberto. Sentar numa mesa muito ruim só porque ela está lá é quase como fazer fila para comer, que foi a outra opção oferecida pelo recepcionista. Não preciso disso. Decidi então abortar a missão PJ e partir para o seu vizinho TT Burger, a  pouco mais de um quarteirão de distância.
É fato que hamburger está na moda. Fato incontestável. Quem fazia, continua fazendo e quem não fazia, passou a fazer. Mas quando eu vejo o sobrenome de uma das mais tradicionais famílias da gastronomia mundial num letreiro de uma hamburgueria, tem algo passando do ponto, Qual seriam as razões para um Troisgros a dedicar uma casa exclusivamente a esse tipo de comida? Eu vejo duas: juntar o sobrenome com a modinha e capitalizar em cima disso ou então fazer um hamburguer que quem coma pense: Putaquiupariu, só mesmo um Troigros poderia fazer um hamburguer tão bom!
O ambiente do TT é bacana, iluminação no ponto, mesas para todos os gostos, varandinha, nada errado. Mas o mais legal é a pequena biblioteca comunitária que eles oferecem. Pegue um livro e leia durante a refeição - coisa difícil comendo um sanduíche - ou leve pra casa e devolva depois. Ótima iniciativa.
Ao lado da bibliotteca (sacaram a pegadinha no nome?) tem o caixa que anota seu nome no pedido e passa para a cozinha. Quando fica pronto gritam seu nome e você pega no balcão. Se quiser outra cerveja ou sobremesa tem que entrar na fila novamente. Quando gritaram meu nome me lembrou a vistoria do Detran. Tenho certeza que há outras soluções menos estridentes.
Só tem uma opção de sanduíche, o TT Burger, 200g de carne que vem num pão de batata doce com queijo, alface, tomate, cebolas, picles e molho. Custa R$ 28,00. Paguei mais R$ 4,00 pelo bacon. Para acompanhar pedi a batata chips do Thomas, com vinagre e sal, R$ 7,00, e uma cerveja, a ótima Colorado Cauim a caros R$ 12,00 num copo de plástico. O lanche todo custou R$ 51,00.
O hamburguer e as batatas são entregues dentro de um saco de papel, elas num saquinho menor e ele bem embrulhado num papel absorvente. A melhor surpresa foram os dois enormes guardanapos de papel que acompanham o pedido. Isso faz toda diferença na hora de comer um grande sanduíche como esse.
Grande mesmo. Embora venha bem arrumado, acho que 200g de carne mais queijo, molho, pão, etc. acabam fazendo um sanduíche grande e pesado demais, Ou você come rápido, sem curtir ou do meio para o fim ele já está frio, massudo e mais dificil ainda de comer. Acho que um bom hamburguer não deveria passar das 150g.
Se eu não soubesse que o pão era de batata doce, não faria a menor diferença. É um bom pão, o que não é pouco, mas nada além disso. O alface e o bacon eram responsáveis só pela crocãncia já que há muitos outros sabores fortes ao mesmo tempo: picles, queijo meia cura, cebola e molho secreto. O conjunto acaba ficando confuso. Quem me conhece sabe que sou partidário do less is more o que está longe de ser o caso aqui. Tudo isso parece ser usado para dar o sabor que a gente não encontra na carne. O bife de hamburguer tem 200g de uma tediosa e sem graça mistura de carnes, aparentemente sem temperos cuja receita, segundo eles, está há cinco gerações na família. Só lamento. Entendo que um sanduíche é um conjunto de sabores que deve ser harmonioso, mas num hamburguer, o mínimo que se espera é que a carne não seja apenas mais um suporte para os extras. Ela tem que ter participação ativa, senão predominante no sanduíche, coisa que não aconteceu no TT Burger que provei.

As batatas fritas do Thomas não valem o sobrenome que têm. No meu saquinho haviam claramente batatas recém feitas e outras mais antigas, Estavam bem crocantes e salgadas no ponto mas excessivamente fritas. Me arrependi de não ter pedido as palito normais.
Não fui de sobremesa ou café porque tinha que entrar novamente na fila, mas há brownies do Luiz e sorvetes Nuvem, dois clássicos recentes cariocas.

Acho que a moda do hamburguer é bem mais consistente do que a das temakerias e a dos sorvetes de iogurte e não tenho dúvidas que os Troisgros estão tendo enorme sucesso com ela. Só fico imaginando que com a tradição e o sobrenome que têm, eles não poderiam, além de criar um negócio rentável e ganhar dinheiro, contribuindo com algo mais para a gastronomia popular carioca do que apenas seguir uma moda. É um pensamento que me parece fazer algum sentido.

No final das contas o lanche foi bem médio mas não ao ponto de pensar se teria sido melhor ficar esperando por uma mesa decente no PJ. Fila jamais!

Amanhã tem mais! Vou só atravessar a esquina.

Comentários

Flavia disse…
O problema aqui é que, a família tem nome e tradição, mas a parte da família que mora no Brasil não tem talento. Não adianta... Nem Coq au Vin decente se come lá. Não é a toa que eles não se firmam em lugares mais difíceis como São Paulo.. Muito fraco mesmo.

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